SÉRIE:
As
Aventuras
de
Rodrigo
e
Daniela
- o
jovem
casal
paranormal
da
saga
A
SÉTIMA
PROFECIA
Episódio:
Um
Encontro
de
Amor
Às
vésperas
de
completar
21
anos,
durante
as
investigações
para
descobrir
quem
seria
o
misterioso
remetente
de
alguns
filmes
envolvendo
sua
vida,
Rodrigo
foi
parar
na
mística
cidade
de
São
Tomé
das
Letras,
no
estado
de
Minas
Gerais.
O
jovem
seguira
seu
instinto
para
chegar
até
lá,
como
se,
no
íntimo,
pressentisse
que
ali
encontraria
sua
alma
gêmea.
A
cidade
de
São
Tomé
das
Letras
localiza-se
no
sul
do
Estado
de
Minas
Gerais,
nos
altos
de
um
morro,
cercada
por
indescritíveis
belezas
naturais,
tais
como
serras,
cachoeiras,
grutas,
trilhas
e
ribeirões
encantadores.
A
maioria
de
suas
casas,
incluindo
a
igreja
dos
tempos
coloniais,
foi
construída
com
pedras
da
região.
A
cidade
atrai
turistas
do
Brasil
e do
exterior
que
para
lá
se
dirigem
em
busca
de
paz,
tranqüilidade
e
energia
positiva,
especialmente
atraídos
pelo
forte
misticismo
que
impera
no
local.
Várias
lendas
permeiam
a
história
de
São
Tomé
das
Letras.
Algumas
dão
conta
de
que,
à
noite,
estranhas
luzes
e,
possivelmente,
discos
voadores,
rasgam
os
céus.
Uma
outra
revela
que
uma
de
suas
grutas
– a
do
Carimbado
–
acaba
em
Machu-Pichu,
no
Peru.
Na
gruta
central,
que
se
situa
ao
lado
da
igreja,
conforme
a
lenda,
escondeu-se
um
escravo
fugitivo,
durante
muitos
anos.
Um
dia,
apareceu-lhe
uma
figura
mística
que
escreveu
uma
carta
com
lindas
letras,
pedindo
sua
alforria.
Aquelas
letras
carismáticas
impressionaram
muito
o
senhor
do
escravo,
que
o
libertou,
surgindo
daí
o
nome
da
cidade.
Como
a
maioria
dos
visitantes,
Rodrigo,
primeiramente,
instalou-se
em
uma
pousada,
depois
procurou
conhecer
os
mágicos
pontos
da
cidade
e,
ao
tomar
conhecimento
da
história
do
escravo,
decidiu,
fascinado,
ir
conhecer
a
lendária
gruta.
Chegando
ao
local,
movido
por
uma
forte
intuição,
Rodrigo
foi
entrando,
intrigado..
O
rapaz
sentia
uma
vibração
interior.
Algo
muito
íntimo
e
estranho...
Para
ele,
habituado
a
sensações
extraordinárias,
quando
rasgos
de
sua
paranormalidade
se
manifestavam,
essa
vibração
parecia
assumir
um
significado
novo
e
especial.
Sob
o
efeito
mágico
da
inusitada
sensação,
Rodrigo
sentiu-se
impelido
a
adentrar
ainda
mais
o
interior
da
gruta,
como
se
uma
força
magnética
o
impulsionasse.
De
repente,
ele
percebeu
que
algo
se
movia
em
meio
à
bruma
da
caverna.
Pareceu-lhe
um
vulto...
Um
vulto
de
mulher.
Rodrigo
parou,
instintivamente.
Aos
poucos,
o
vulto
aproximou-se,
e
uma
jovem
de
rara
beleza
deteve-se
diante
dos
olhos
fascinados
do
rapaz.
Por
uma
fresta
da
caverna,
um
tênue
raio
de
sol
dourava
ainda
mais
os
cabelos
daquela
imagem
de
sonho.
Os
olhos
negros
cintilavam,
fitando
Rodrigo
profundamente.
Não
fosse
pela
roupa
despojada,
moderna,
calça
jeans
e
camiseta
de
mangas
longas,
com
um
pulôver
amarrado
à
cintura,
dir-se-ia
que
se
tratava
de
uma
miragem.
Rodrigo
e a
jovem
encararam-se
por
um
instante.
Um
instante
mágico.
–
Sempre
te
amei!
–
afirmou
ele,
num
átimo.
A
jovem
encarou-o
com
ar
de
incredulidade,
sem
esboçar
nenhuma
palavra.
–
Sempre
te
amei!
Sempre
te
amarei!
–
continuou
Rodrigo.
A
moça
esboçou
um
sorriso
maroto
e,
olhando
para
os
lados,
perguntou
a
Rodrigo,
com
o
dedo
apontando
a si
própria:
–
Você
está
falando
comigo?
–
Com
quem
mais
poderia
ser?
–
respondeu
o
rapaz,
manifestando
naturalidade.
Talvez
por
cautela,
a
garota
fez
menção
de
se
retirar.
Rodrigo
colocou-se
à
sua
frente,
impedindo-a.
–
Por
favor,
não
se
vá.
Não
agora,
depois
que
a
encontrei,
após
tanto
tempo
de
procura...
–
Procura?
–
indagou
a
jovem,
intrigada.
–
Você
estava
à
minha
procura?
Você
me
conhece,
por
acaso?
–
Sim,
–
respondeu
Rodrigo,
sussurrando
num
tom
apaixonado.
–
Conhecemo-nos
há
séculos,
desde
infinitas
existências...
muitas
vidas
passadas...
Nossos
laços
se
perdem
nas
brumas
do
tempo...
Ela
não
resistiu
e
esboçou
um
sorriso:
–
Essa
foi
a
cantada
mais
original
que
já
ouvi.
Uma
cantada
sobrenatural.
Bem...
se
me
conhece
realmente,
deve
saber
meu
nome!
Rodrigo
poderia,
com
seus
dons
paranormais,
mentalizar
alguma
resposta
e
tentar
intuir
o
nome
da
garota,
mas
não
teve
tempo.
Calou-se
por
um
instante
e,
mirando
um
colar
no
pescoço
da
jovem,
respondeu:
–
Seu
nome...
começa
com
"D"!
A
jovem,
instintivamente,
levou
a
mão
ao
pingente
do
colar,
uma
letra
– D.
–
Conte
outra!
Essa
não
valeu!
Você
viu
o
meu
pingente!
–
exclamou,
com
um
sorriso
de
reprovação.
Nesse
instante,
ouviram-se
passos
e o
som
de
pessoas
se
aproximando.
–
Dani!
Dani!
–
uma
voz
feminina
ecoou
pela
gruta.
Rodrigo
percebeu
que
estavam
chamando
pela
jovem.
–
Dani...
–
disse
ele.
–
Daniela!
Seu
nome
é
Daniela!
Antes
que
ela
respondesse
algo,
um
grupo
de
jovens
os
alcançou.
–
Dani!
–
disse
uma
das
moças,
enquanto
os
demais
se
encaminhavam
para
a
saída.
–
Por
onde
você
andou?
Vamos,
o
pessoal
quer
voltar
agora!
E,
olhando
para
Rodrigo,
perguntou
à
amiga:
–
Quem
é?
Não
me
apresenta?
–
Bem,
Verinha,
este
é...
–
Rodrigo.
Rodrigo
Scudero
–
finalizou
o
rapaz.
Verinha
sorriu,
estendendo
a
mão.
–
Muito
prazer.
Rodrigo
Scudero,
hein?
Nome
de
espanhol...
de
herói...
El
Cid!
–
Com
certeza!
–
sorriu
Rodrigo,
os
olhos
azuis
faiscando,
cheios
de
charme.
–
Bem...
então,
vamos?
–
perguntou
Verinha.
Daniela
e
Rodrigo
não
responderam.
Pareciam
não
ter
ouvido
a
pergunta
de
Verinha.
Continuavam
frente
a
frente,
como
hipnotizados,
olhos
nos
olhos,
num
silêncio
de
cúmplices...
Verinha
percebeu
um
certo
clima
no
ar
e,
sorrindo,
retirou-se,
dando
de
ombros:
–
Tudo
bem!
Vou
indo
na
frente,
tá?
Rodrigo
rompeu
o
silêncio,
tomando
as
mãos
de
Daniela:
–
Nunca
te
vi...
sempre
te
amei.
Daniela
rebateu:
–
Essa
também
não
valeu!
É
nome
de
filme!
–
Filme...
–
balbuciou
Rodrigo.
–
Minha
vida
tem
muito
a
ver
com
filmes...
–
Por
quê?
Você
é
cineasta,
por
acaso?
–
perguntou
a
garota.
–
Mais
ou
menos...
digamos
que
sou
cinéfilo.
Daniela
silenciou-se
e
continuou
fitando-o,
curiosa.
Não
conseguia
compreender
o
que
a
retinha
ali,
próxima
daquele
rapaz
misterioso
e
arrebatador.
A
jovem
dividia-se
entre
a
necessidade
de
voltar
e o
desejo
de
permanecer
a
seu
lado,
olhos
nos
olhos,
mãos
nas
mãos,
indefinidamente.
Sentia
um
delicioso
torpor
naquele
leve
contato
físico,
como
se
uma
energia
inexplicável
estivesse
passando
de
um
para
o
outro.
–
Preciso
ir...
–
balbuciou,
finalmente,
com
voz
tênue.
–
Claro!
Vamos!
–
disse
Rodrigo,
num
tom
ao
mesmo
tempo
decidido
e
afetuoso.
–
Mas
não
vá
fugir,
Dani...
Dani...
Seu
nome,
proferido
pela
voz
quente
e
doce
de
Rodrigo,
causou
em
Daniela
uma
indefinível
sensação
de
prazer.
Saíram
da
gruta
lado
a
lado,
com
ar
sorridente,
em
silêncio,
de
mãos
dadas,
como
se
realmente
já
se
conhecessem
há
séculos.
Estavam
ainda
atordoados
pela
magia
daquele
encontro.
Não
eram
necessárias
palavras...
almas
gêmeas
utilizam
meios
inexplicáveis
aos
sentidos
para
se
comunicar...
Lá
fora,
a
turma
de
Daniela
a
aguardava.
–
Venha,
Dani!
Você
não
quer
perder
o
pôr-do-sol
de
São
Tomé,
quer?
O
pessoal
já
está
escalando
a
Pirâmide!
–
gritou
Verinha.
Daniela
convidou
Rodrigo,
sorrindo:
–
Você
quer
ver
o
pôr-do-sol?
–
Com
você?
–
respondeu
ele.
– É
claro!
Cada
pôr-do-sol
de
nossas
vidas...
E o
nascer-do-sol
também!
Todos
se
dirigiram
para
a
Pirâmide,
local
estratégico
de
São
Tomé
das
Letras,
no
alto
de
um
morro
composto
de
pedra,
de
onde
se
tem
uma
vista
de
360
graus
da
região.
A
maioria
dos
expectadores
constituía-se
de
jovens
que,
pacientemente,
aguardavam
o
tão
especial
espetáculo
da
natureza,
entoando
músicas
do
Legião
Urbana
e
Raul
Seixas.
Rodrigo
e
Daniela
acomodaram-se
sobre
uma
pedra
e
permaneceram
abraçados,
enquanto
o
astro-rei
tingia
com
incríveis
nuances
de
cores
o
infinito
da
paisagem
mineira,
até
desaparecer
por
completo
no
horizonte.
Caía
a
noite.
A
infinita
gama
de
cores
do
entardecer
cedia
lugar
para
as
estrelas
que
surgiam,
salpicando
de
pontinhos
prateados
o
céu
de
São
Tomé
das
Letras.
A
temperatura
baixava
lentamente,
espalhando
um
friozinho
gostoso.
– O
pessoal
está
planejando
passar
a
noite,
ao
relento,
na
Pedra
da
Bruxa
ou
no
Cruzeiro,
para
aguardar
o
nascer
do
sol
–
disse
Daniela.
–
Contam
que,
à
noite,
aqui
em
São
Tomé,
acontecem
fenômenos
extraordinários,
luzes
mágicas
no
céu,
discos
voadores...
que
tal?
–
Está
me
convidando
para
passar
a
noite
com
você?
–
perguntou
Rodrigo,
sorrindo,
com
ar
sedutor.
–
Com
a
turma
toda,
bem
entendido
–
respondeu
Daniela.
–
Você
deve
saber
como
funciona:
cada
um
leva
seu
cobertor,
enrola-se
nele,
porque
o
frio
não
é
mole,
e
passa
a
noite,
no
mínimo,
contemplando
as
estrelas
no
céu...
– No
mínimo?
Não
me
conformo
com
o
mínimo...
–
sorriu
Rodrigo,
num
tom
levemente
malicioso.
–
Você
me
dá
um
cantinho
do
cobertor?
–
Que
tal
um
cobertor
todo?
Na
pousada
há
muitos!
Pegue
o
seu!
Na
verdade,
acho
que
vamos
levar
sacos
de
dormir!
–
respondeu
Daniela,
com
charme.
– À
prova
de
invasores,
com
fechos
bem
herméticos!
Mais
tarde,
munidos
de
garrafas
térmicas
contendo
chás,
chocolate
quente
e
café,
Rodrigo,
Daniela
e a
turma
toda
se
reuniram
para
curtir
a
noite
no
Cruzeiro,
o
local
mais
alto
da
cidade,
próximo
da
Pirâmide.
Passar
a
noite
lá é
uma
experiência
fantástica
para
os
amantes
da
natureza
e
dos
mistérios
cósmicos.
Enrolados
em
seus
cobertores,
Rodrigo
e
Daniela
sentaram-se
ao
pé
da
fogueira
e
permaneceram
dialogando
por
um
tempo
indefinido,
suficiente
para
que
traçassem
um
paralelo
de
suas
vidas,
falando
sobre
si
mesmos,
seus
gostos,
crenças
e
esperanças
e,
assim,
descobriram
inúmeros
sonhos
em
comum.
Rodrigo
contou-lhe
que
morava
com
os
tios
em
São
Paulo.
Daniela
revelou
que
estudava
em
Piracicaba,
mas
passava
os
finais
de
semana
em
uma
fazenda
nas
imediações
de
São
Tomé
das
Letras.
Freqüentemente,
como
então,
fazia-se
acompanhar
pela
turma
da
Faculdade
de
Agronomia,
planejando
caminhadas
e
pesquisas
pelas
imediações.
–
Meus
pais
são
separados
–
dizia
ela
–, e
ganharam
o
mundo.
Nasceram
para
se
aventurar.
Mamãe,
talvez
por
ter
sido
criada
aqui
nas
cercanias
de
São
Tomé,
tornou-se
mística,
esotérica,
participa
de
ONGs
pela
África,
pelo
oriente,
sempre
a
serviço
dos
mais
necessitados.
Faz
parte
de
uma
Organização
chamada
“Voluntários
Sem
Fronteiras”.
Seu
último
contato
conosco
dava
conta
de
que
se
encontrava
trabalhando
em
uma
aldeia
na
Índia.
Quanto
a
papai,
é
fotógrafo,
passou
algum
tempo
com
os
índios
do
Peru,
e,
por
último,
soubemos
que
estava
nos
Bálcãs.
–
Temos
em
comum
o
fato
de
vivermos
sem
nossos
pais,
então,
–
comentou
Rodrigo.
–
Mas,
pelo
menos,
é um
consolo
saber
que
Piracicaba
e
São
Paulo
ficam
bem
próximas.
Bom
sinal
para
nós...
Em
menos
de
duas
horas
poderemos
estar
juntos,
quando
a
saudade
bater...
Daniela
sorriu
ao
perceber
que
ele
já
fazia
planos
incluindo
ambos
e
sentia-se
cada
vez
mais
envolvida
por
aquele
magnetizante
olhar
de
um
azul
profundo...
A
envolvente
e
convidativa
magia
do
local
incitava
ao
romance...
Rodrigo,
que
não
se
cansava
de
admirar
a
silhueta
da
jovem,
tomou
em
suas
mãos
a
face
de
Daniela,
deslizando
os
dedos
por
entre
aqueles
cabelos
dourados,
que
brilhavam
ao
crepitar
da
fogueira.
Suavemente,
seus
rostos
se
aproximaram
e
Dani
entregou-se
ao
sabor
daquele
primeiro
beijo,
que
prenunciava
uma
vida
futura
ardente
e
plena
de
amor
e
paixão.
Finalmente,
abraçados,
os
dois
jovens
recostaram-se
no
solo
daquele
recanto
de
sonho
e lá
permaneceram
noite
adentro,
juntinhos,
entre
afagos,
juras
e
carícias
sem
fim
e,
então,
tendo
como
cúmplices
as
estrelas
e o
luar
de
São
Tomé
das
Letras,
apreciaram
juntos,
pela
primeira
vez,
a
mágica
alvorada
das
serranias
de
Minas...
A
pequena
multidão
que,
como
eles,
esperava
o
alvorecer,
pôs-se
a
gritar
de
júbilo,
saudando
os
primeiros
raios
de
sol
que
despontavam,
derramando-se
sobre
a
exuberante
natureza
mineira.
Rodrigo
e
Daniela
curtiram,
assim,
com
o
fascinante
testemunho
de
um
pôr-do-sol
e de
um
lindo
amanhecer,
seu
primeiro
encontro...
Um
encontro
de
amor!
***
©Oriza
Martins
Este
conto-episódio
faz
parte
da
série
"Aventuras
de
Rodrigo
e
Daniela"
Veja
também
os
episódios:
Mistério
nas
Ruínas
do
Solar
A
Noiva
Um
Encontro
de
Amor
Veja
todos
os
episódios
Episódio-piloto
-
conheça
o
início
da
saga
= A
SÉTIMA
PROFECIA