Casal romântico

Histórias de Amor,

Paixão e Mistério...

 

Aventuras de Rodrigo e Daniela, o jovem casal paranormal da saga "A Sétima Profecia".

 

 Rodrigo e Daniela se amam... mais do que se amam, os dois jovens se completam. O jovem casal procura usar seus dons paranormais em conjunto para auxiliar quem deles necessite, investigando instigantes acontecimentos e mistérios.

 

Episódio:"Mistério nas Ruínas do Solar"

Uma aventura vivida em uma antiga fazenda do vale do Paraíba, repleta de mistério, paixão e tragédia, salpicada de lances macabros, suspense, canibalismo, exorcismo e humor.

 

 

Mistério nas Ruínas do Solar  (Oriza Martins)

    

SÉRIE: As Aventuras de Rodrigo e Daniela - o jovem casal paranormal da saga A SÉTIMA PROFECIA

 

Episódio: "Mistério nas Ruínas do Solar"

 

    

Mistério nas Ruínas do Solar

 

 

- Pronta, amor? - perguntou o jovem Rodrigo a sua amada Daniela, abraçando-a e selando-lhe os lábios com um beijo apaixonado.

- Sim, tudo OK - respondeu ela, carinhosamente receptiva, envolvendo-lhe o pescoço num abraço afetuoso.

- Minha Dani fofa... meu docinho predileto! - sorriu ele, fitando-a profundamente.

 

Desde a véspera, o jovem casal se preparava para ir com Fábio e um grupo de amigos passar um feriadão em um hotel-fazenda no vale do Paraíba, região de antigas fazendas do ciclo dourado do café, repletas de história e magia.

 

A fazenda, de propriedade do casal Tomazzini, revelou-se um local paradisíaco, com seu casario colonial, bucólicos jardins, o clima perfeito da vida no campo.

 

Circulando pelas imediações, acompanhados por um guia, o grupo de jovens avistou a uma certa distância um conjunto de ruínas, aparentemente restos de um casarão incendiado. Indagado sobre o local, o guia disse tratar-se da antiga sede da fazenda - dos tempos em que era proprietário o barão de Monte Sul -, destruída por um incêndio no final do século 19, poucos anos após a abolição dos escravos no Brasil.

 

- Dizem que o lugar é mal-assombrado - revelou o guia, entre cético e divertido.

 

Fábio interessou-se:

- Mal-assombrado? O que acontece por lá para dizerem isso?

- Bem... continuou o guia. - Dizem que à noite acontecem umas coisas estranhas por lá... está tudo em ruínas, mas, mesmo assim, parece que o casarão arde em fogo de novo, ergue-se um clarão que é visto à distância... como se estivesse novamente pegando fogo.

 

Ao ouvir o relato do guia, Rodrigo parou por instantes, procurando mentalizar algo em relação ao velho solar. Quando um acontecimento despertava sua atenção, o jovem paranormal naturalmente sentia-se impelido a buscar respostas a sutis indagações que despontavam de seu interior. Fábio e Daniela perceberam a atitude do rapaz e a garota quis saber:

- Está pressentindo algo, amor?

Fechando os olhos, Rodrigo disse:

- Eu vejo uma mulher trancada em um porão, sofrendo, recusando-se a comer. Uma outra mulher, tipo mucama, a seu lado, tenta consolá-la. É... é isso aí... Parece que há mesmo muitos mistérios envolvendo aquelas ruínas...

Depois, balançando a cabeça, Rodrigo complementou:

- Bem, pode ser apenas sugestão minha! Deixa pra lá. Vamos curtir a caminhada.

Mas, no íntimo, o rapaz sentia que havia algo de verdadeiro e instigante naquilo tudo.

 

O amigo Fábio, por sua vez, com o aguçado tino jornalístico, sempre em busca de uma boa história, procurou conversar com as pessoas locais para obter mais informações sobre as ruínas do antigo solar. À tarde, reuniu-se com os amigos, numa das mesinhas da varanda, revelando o que descobriu:

 

- O que você falou sobre o casarão tem algo a ver, mano - disse ele a Rodrigo. -  Há muitos mistérios naqueles escombros. Conta-se que no velho solar aconteceu uma tragédia passional, ao final do século dezenove. Como o guia disse, lá residiam os barões de Monte Sul, antigos donos da propriedade, um casal rico à beça, que mantinha na fazenda muitos empregados, ex-escravos libertos poucos anos antes, pela lei Áurea. Ocorre que um desses empregados, um jovem negro, belo e atlético, saradão, chamado Solano, apaixonou-se pela baronesa e, ao que parece, eles tiveram um caso quentíssimo. Agora... imaginem só uma situação dessas acontecendo naqueles tempos... foi um escândalo e tanto, que terminou em tragédia.

 

Rodrigo, Daniela e os demais amigos olhavam para o rapaz, curiosos, querendo saber o final da história. Fábio contou de um só fôlego:

 

- O barão mandou matar o cara, o negro Solano, trancafiou a baronesa num porão e deixou-a sem comer por vários dias. Imaginem como estava faminta, a coitada. Depois o marido maluco mandou servir-lhe um tipo esquisito de carne...

 

- E?... - perguntou Daniela, interessada.

- E acontece que era a carne do próprio... Do amante! Depois de alguns dias, o barão mandou dizer à pobre mulher que ela estava se alimentando com a carne do amante. E nessa ocasião, adivinhem qual parte do corpo do cara foi servida para ela.

- ??? - todos ficaram mudos e ansiosos, fitando Fábio.

- É isso aí mesmo, manos... - disse Fábio, arregalando os olhos, maliciosamente. - Foi servida a parte que ela mais curtia do amante... o pepino e os tomates dele, he, he he...

- Putz!... - balbuciou Rodrigo.- É real essa história?

- Realzinha - devolveu Fábio. - E o fim foi pior ainda. Ao saber que estava comendo carne do amante, e diante daquela iguaria macabra, a baronesa parou de se alimentar. Parou, simplesmente. Parou e pirou também. Tanto que morreu poucos dias depois, não se sabe se de fome ou de piração mesmo. E depois foi a vez de o barão pirar. O cara se entregou à bebida, foi decaindo, até que um dia o casarão pegou fogo com ele dentro. Todo mundo correu pra fora, mas ele ficou lá, virando torresmo. Também não se sabe se foi acidente ou se ele botou fogo em tudo... Morreu esturricado.

 

Um silêncio baixou sobre a roda de amigos.

- E agora - completou Fábio - dizem que é a alma do barão que vive assombrando as ruínas do velho solar e fazendo tudo arder de novo. Acho que ele ainda se sente preso entre as chamas... ou então tomou gosto por curtir um braseiro básico, he, he, he...

 

Passado o impacto da revelação, o grupo de amigos começou a fazer comentários divertidos sobre o assunto, zoando e dando risadas.

Apenas Rodrigo permanecia calado, pensativo. Fábio logo percebeu:

- E aí, amigão... pensando em ir lá tirar a limpo a história? Que tal um exorcismo básico, hein, he, he he...

 

Rodrigo sorriu. De fato, o jovem paranormal estava pensando sobre o relato de Fábio. Sentia-se impelido a fazer algo para elucidar o mistério do velho solar.

- Quem te contou tudo isso? - perguntou Rodrigo ao amigo.

- Bem, eu andei xeretando por aí, mas quem me disse o principal foi a dona Josefa, mulher do senhor Tomazzini, donos da fazenda. Ela é parente distante dos barões e revelou que a família sempre se sentiu incomodada com essa história. Também... fala sério... não é bem um episódio do qual uma família possa se orgulhar, né?...

 

Eis o sinal verde que Rodrigo aguardava para tentar desvendar o enigma do solar. Se a família estava incomodada, deveria ficar satisfeita caso as estranhas manifestações fossem pesquisadas e solucionadas. Tratava-se realmente de um assunto que fascinava o jovem paranormal.

 

Na manhã seguinte, após uma conversa com os proprietários da fazenda, Rodrigo e Daniela dirigiram-se ao local das ruínas onde passaram algumas horas em meditação, procurando mentalizar e captar os fenômenos que estavam ocorrendo ali. Mais tarde, de volta à sede da fazenda, ele conversava com Fábio e os amigos.

 

- Realmente, existe uma forte manifestação espiritual nas ruínas - disse Rodrigo. - Certamente trata-se da alma do barão que vaga ansiosa, sem destino. Ele anseia por perdão, pelo perdão da baronesa, mas não consegue se comunicar com ela, porque ambos não se encontram atualmente no mesmo plano. E ele não também não consegue se desprender do local da tragédia.

 

- Claro, ele deve estar no inferno - praguejou Fábio. - Ela, não. Ou, pelo menos, nem tanto... Ou melhor... pensando bem, ele já curte um braseiro básico, não? He, he he...

 

- É...  mais ou menos por aí - sorriu Rodrigo. - Só que para ele trata-se de um inferno pessoal. O barão não consegue se desprender do local da tragédia. isso faz parte de seu inferno.

- E você... claro, pretende exorcizar as ruínas, estou certo? - sorriu Fábio.

Rodrigo aquiesceu:

- Bem... é um assunto delicado. Só vou tentar fazer algo se os proprietários assim o desejarem. Nesse caso, vou precisar da presença de uma pessoa ligada à baronesa, de preferência alguém que seja descendente dela ou parente, de alguma forma, da família. As manifestações que ocorrem lá são originárias da presença do barão. Precisamos atrair então a presença da da mulher dele. Se alguém pode fazer algo por lá ou pelo barão, não sou eu, nem a Dani, mas própria a falecida... Então, alguém que seja da família seria muito útil para ajudar a atraí-la.

 

Os jovens então lembraram-se de que a esposa do senhor Tomazzini, dona Josefa, era neta de uma sobrinha da baronesa.

 

- Se ela topar, ótimo - concluiu Rodrigo. - E o contato com a falecida poderá ser conseguido através da Dani - disse ele referindo-se à mediunidade de sua amada Daniela.

 

Era noite alta, quando Rodrigo, Daniela, Fábio e seus jovens amigos, em companhia dos proprietários da fazenda, dirigiram-se às ruínas do velho solar. O casal Tomazzini  concordara em que Rodrigo tentasse elucidar o mistério das manifestações que ocorriam nas ruínas.

 

Alguns dos presentes sentiam arrepios, um pouco de medo, outros simplesmente estavam fascinados e curiosos.

 

Chegando lá, Rodrigo escolheu um recinto que parecia ter sido a sala principal do antigo solar. Era noite de lua cheia e clarões prateados inundavam o local, enfatizando os escombros e promovendo um ambiente ao mesmo tempo mágico e sinistro.

 

- Esse lance de caça-fantasmas me fascina... - disse uma das garotas presentes, arrepiando-se - Mas por que tem de ser à noite?

 

- Não há o que temer - respondeu Rodrigo. - O que existe de dia, existe à noite, mas é mais fácil conseguir contato na penumbra.

 

Rodrigo e Daniela deram-se as mãos, procurando energizar-se positivamente, e solicitaram aos demais que se juntassem a eles, formando uma roda.

 

O proprietário, senhor Tomazzini, dividia-se entre o ceticismo e a curiosidade. Sua esposa, dona Josefa, entretanto, não parava de fazer-se o sinal da cruz, imbuída ao mesmo tempo de esperança, receio e expectativa. Todos permaneceram em silêncio, olhos fechados, cabeças abaixadas até que Rodrigo disse em tom alto:

 

- Seja quem for, manifeste-se! Estamos aqui para ajudar, para promover a concórdia.

 

Silêncio geral. Alguns dos jovens abriram um pouco os olhos, espreitando ao redor. Rodrigo então, passou a mentalizar a imagem da baronesa. Ela significava a chave para elucidação do enigma.

 

Vários minutos haviam-se passado, quando Daniela começou a se mover, soltando as mãos da roda de amigos. Visivelmente alterada, a jovem pôs-se a caminhar pelas ruínas, seguida pelos demais.

- Ela está em transe? - indagou dona Josefa, falando baixo.

- Sim, vamos aguardar -, confirmou Rodrigo, explicando que o espírito da baronesa estava se manifestando através de Daniela, que parecia levitar, buscando por algo.

 

Devagarinho, a jovem começou a balbuciar algumas palavras ininteligíveis para os presentes. Simultaneamente, um misterioso vento, estranho, gelado, começou a circular pelo recinto, provocando arrepios. A ventania foi aumentando paulatinamente, formando um estranho redemoinho que promovia uma oscilação nos raios de luar que penetravam no local, meslcando-se às sombras das ruínas, como uma luz estroboscópica a girar incessante.  Todos se encolheram e alguns se abraçaram ante aquela sensação inesperada, enquanto Daniela, abrindo os braços e rodopiando pelo ambiente, passou a dizer as palavras bem alto:

 

- Eu te perdoo. Liberte-se. Eu te perdoo. Liberte-se. Eu te perdoo. Liberte-se. - E prosseguiu repetindo aquelas frases durante vários minutos.

 

À medida que Daniela pronunciava as palavras, a ventania parecia aumentar e diminuir, aumentar e diminuir, fustigando as ruínas do casarão com um ruído sinistro. Dona Josefa agarrou o braço de Fábio, aflita, sem compreender o que acontecia. O Sr. Tomazzini permanecia estático, olhos arregalados.

- Calma, Dona Josefa. - disse Fábio. - Calma, que nossos amigos aí sabem o que fazem.

 

Repentinamente, assim como se iniciou, a ventania parou. Um silêncio absoluto caiu sobre os presentes. Todos suspiraram aliviados. Daniela permaneceu por mais alguns instantes repetindo aquelas instigantes palavras, cada vez mais fracamente até que acabou por apenas sussurrá-las. Nesse momento, parecendo perder as forças, a jovem titubeou por alguns instantes, sendo amparada por Rodrigo.

 

Fábio, o senhor Tomazzini e dona Josefa aproximaram-se do casal, curiosos, rodeados pelos outros jovens. Daniela voltava a si e olhou-os sorridente.

 

- Tudo bem? - perguntou ela.

- Sim, amor - respondeu Rodrigo, abraçando-a carinhosamente e beijando-a na testa. - Tudo ótimo. Você foi uma excelente intermediária de conciliação... como sempre.

 

Rodrigo, em seguida, dirigiu-se ao casal de fazendeiros:

- Fiquem tranqüilos. Acabaram-se as manifestações do solar. As energias espirituais negativas que agiam por aqui foram neutralizadas.

 

O Sr. Tomazzini, curioso, indagou a Rodrigo o que realmente havia ocorrido. O rapaz explicou:

 

- Quando iniciamos a sessão de conciliação, o espírito da baronesa começou a se manifestar através da Dani. A baronesa captou a aflição do barão, cujo espírito, após seu falecimento, permanecera em uma região obscura, num plano inferior, suplicando pelo perdão da esposa.  Mas eles não conseguiam se comunicar. Somente agora, estando aqui, entre as ruínas, no local da tragédia, interagindo num mesmo plano, ambos conseguiram a comunicação. E a baronesa, num gesto magnânimo, concedeu-lhe o perdão. Isso o libertou para seguir seu caminho, cumprir seu destino no além. Agora... quanto à tragédia, não é verdade que ele serviu carne humana para ela. Aliás, ele nem foi responsável pela morte do Solano, não. Ele disse aquilo sobre a carne apenas para aterrorizá-la, para castigá-la. E os detalhes macabros dessa história foram acrescentados pela lenda que se formou em torno do ocorrido. O barão mandou dar uma grande surra no Solano, é verdade, e fez com que o rapaz fugisse da fazenda, apavorado, prometendo matá-lo se voltasse. Só não esperava que a baronesa fosse firme o suficiente para recusar a comida. Quando percebeu que ela estava à morte, entrou em pânico. No fundo ele ainda a amava, não desejava de fato sua morte. Ao perdê-la sem ter tido a chance de pedir perdão, ele enlouqueceu de vez. Foi o seu fim, o ápice de sua tragédia... e o começo de seu tormento espiritual.

 

- Madonna mia - sussurrou o senhor Tomazzin, se benzendo -, enquanto todos se dirigiam de volta à sede da fazenda.

 

Na manhã seguinte, Rodrigo e Daniela, sempre apaixonados, sempre românticos, entre carícias e afagos, curtiam o sol no gramado, quando Fábio chegou sonolento.

 

- Cara... que porre ontem, hein? - disse ele, balançando a cabeça. - Sonhei com aquele redemoinho a noite inteira, pô! Redemoinho... iguarias macabras... braseiro... arre!! Acho que vou dar um mergulho, esfriar a cabeça, pra cair na real de novo.

 

E, dizendo isto, pulou na água gelada da piscina, ante o olhar divertido dos amigos.

 

***


©Oriza Martins

Este conto-episódio faz parte da série "Aventuras de Rodrigo e Daniela"

Veja também os episódios:

 

Mistério nas Ruínas do Solar

A Noiva

Um Encontro de Amor

Veja todos os episódios

Episódio-piloto - conheça o início da saga = A SÉTIMA PROFECIA

 

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1 - Rodrigo, desde criança, sempre exercitou de alguma forma seus dons paranormais. Daniela, por sua vez, só começou a manifestar a paranormalidade a partir de seu encontro com  Rodrigo.

2 - Ela necessitava desse pólo gerador de energia amorosa e positiva para desenvolver suas potencialidades. Agora ambos se dedicam a investigar casos misteriosos...

3 - Como almas gêmeas, Rodrigo e Daniela se comunicam e se completam através de um simples toque de mãos...

4 - Mas o que mais une mesmo as mentes e corações de Rodrigo e Daniela é um profundo sentimento de AMOR...

 

 

5 - Rodrigo e Daniela promovem sessões de mentalização e meditação, onde permutam sua energia interior e potencializam seus dons paranormais na solução dos casos.

 

6 - Acompanhe as instigantes aventuras de Rodrigo e Daniela, repletas de amor, paixão, suspense, mistério, com boa dose de humor, e viva o seu fascinante universo...

Index dos episódios

Saiba como eles se conheceram lendo:

Um Encontro de Amor

 

 

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