Casal romântico

Histórias de Amor,

Paixão e Mistério...

 

Série: Aventuras de Rodrigo e Daniela, o jovem casal paranormal da saga "A Sétima Profecia".

Rodrigo e Daniela se amam... mais do que se amam, os dois jovens se completam. O jovem casal procura usar seus dons paranormais em conjunto para auxiliar quem deles necessite, investigando instigantes acontecimentos e mistérios.

 

 

Episódio: "A Noiva"

Uma noiva é sequestrada às vésperas de seu casamento. Um maníaco à solta... Acompanhe Rodrigo e Daniela em mais esta emocionante história de amor, paixão e suspense.

A Noiva  (Oriza Martins)

SÉRIE: As Aventuras de Rodrigo e Daniela - o jovem casal paranormal da saga A SÉTIMA PROFECIA

 

Episódio: A Noiva

 

        Fábio chegou ao solar do Parque do Carmo, após contato pelo celular, dirigindo-se apressadamente aos fundos do amplo quintal, onde Rodrigo e Daniela tratavam dos animais.

        - O Fábio parecia aflito, amor - disse Daniela. - Mas não quis adiantar o assunto por telefone... Você tem alguma intuição?...

        - Hummmm.... Ainda não me concentrei para pensar no assunto. Mas olhe quem está chegando... - respondeu Rodrigo, acenando com o olhar.

        Fábio sentou-se em uma das muretas do jardim, como se necessitasse descansar, e foi falando, agitado:

        - Pessoal... Dani, Rod... é uma emergência! - disparou o rapaz, com a respiração ofegante.

        - Calma, cara... - falou Rodrigo. - Acalme-se e fale devagar.

        - É uma emergência! Vocês precisam ajudar! A Talita, sabem, minha amiga lá da academia... a Talita...

       - Sei, sei - disse Daniela - a Talita, que está noiva e vai se casar na semana que vem.

       - Isso, isso! A Talita... sumiu! - disparou Fábio.

       - Sumiu?! Como assim, sumiu? Desapareceu, fugiu?

       - Não, fugiu, não! Por que iria fugir? Ela está de casamento marcado, superfeliz. Acho que foi é... sequestrada!

       - Sequestrada? Será que não está dando um tempo para pensar no casamento?... Talvez esteja em dúvida - sorriu Rodrigo.

       - Não, não! Nada disso. A Talita sumiu mesmo, desde ontem à noite. Seu celular está desligado. O Hamilton, noivo dela, desesperado. A família, os amigos, todo mundo está desesperado.

       - Já foram à polícia?

       - Já, já foram. Mas estão checando muito devagar, pegando depoimento dos parentes, até do Hamilton, coitado, como se ele fosse suspeito.

       - Quando acontece algo com uma jovem, os mais próximos são mesmo os primeiros suspeitos - disse Rodrigo.

        - Mas não tem nada a ver, cara! O Hamilton adora a Talita. Estão noivos! Vocês podem ajudar a achar, você e a Dani. Comecem a mentalizar já!

        - Tudo bem, calma, Fábio. Vamos começar a agir já, ok?

        - Bem... vamos precisar ter contato com objetos da Talita, para captar energias dela - disse Daniela.

        - Aqui, aqui, eu estou com um livro dela, que ela me emprestou. Eu trouxe pois sabia que você iriam me pedir isso -apressou-se em dizer Fábio, entregando-lhes o livro.

 

        Talita e Hamilton, os noivos, eram grandes amigos de Fábio, que fora inclusive convidado para padrinho do casamento. Na noite anterior, a moça não chegara em casa, como de hábito, e foi dada como desaparecida pela manhã. Quando Fábio soube, imediatamente pensou em pedir ajuda a Rodrigo e Daniela por conta de seus poderes paranormais - que lhes facilitava elucidar casos de mistério, tais como os de desaparecimento.

 

        Daniela, segurando o livro de Talita, começou a roçar as mãos sobre ele, procurando fixar o pensamento na jovem. O mesmo fez Rodrigo, mentalizando a imagem de Talita.

        - Nada, por enquanto - disse Rodrigo. - Está difícil... Acho que precisamos tocar em algo mais íntimo dela, uma peça de roupa, talvez, ou um ambiente familiar...

 

        Fábio sugeriu que se dirigissem à casa de Talita, onde familiares e amigos já se aglomeravam, aflitos, à espera de alguma informação. Pela noitinha, os três jovens chegaram ao apartamento da família. A imagem da mãe da garota era pura desolação. Os amigos entraram no quarto da moça onde se viam muitos materiais relacionados ao casamento, marcado para a semana seguinte: lista de convidados, convites, presentes que já chegavam...

        Rodrigo e Daniela passaram algum tempo caminhando pelo quarto, tocando em objetos, em silêncio. De repente, Daniela sentou-se na cama de Talita e disse:

        - O vestido! O vestido de noiva!... Não sei por quê, mas a imagem do vestido de noiva não me sai da mente.

        Rodrigo sentou-se ao lado de sua amada Dani e tomou-lhe as mãos, principiando também a pressentir algo.

        - Uma noiva... eu vejo uma noiva... uma, não... várias! Vejo várias noivas.

        - Não será sugestão? - indagou Fábio. - Pelo fato de a Talita estar noiva...

        - Pode ser, respondeu Rodrigo. - Vamos precisar de mais tempo para mentalizar...

 

        Uma vez que os amigos estavam se esforçando para ajudar a localizar Talita, o alegre Fábio já se sentia mais calmo, voltando aos poucos às atitudes espirituosas de sempre. Ele confiava plenamente em ambos e sabia que era apenas uma questão de tempo, que Rodrigo e Daniela conseguiriam localizar a jovem. Fábio apenas esperava que a mesma fosse encontrada sã e salva.

 

        Os três amigos resolveram não retornar ao casarão do Carmo e pernoitar no flat que Rodrigo mantinha nos Jardins, para permanecerem mais próximos da família de Talita. Após um lanche noturno, eles se juntaram na sala com a intenção de realizar mais sessões de mentalização. Como de hábito, Rodrigo e Daniela procuravam dar-se as mãos para trocar  energia e potencializar os efeitos de seus dons paranormais. Após algum tempo, Daniela começou a sentir frio e cheiro de mato.

        - Frio e cheiro de mato... não será saudade do Carmo, amor? - perguntou Rodrigo referindo-se ao casarão do Parque do Carmo, onde eles passavam a maior parte do tempo, rodeado pela Mata Atlântica e cheio de plantas.

        - Não, amor, não... eu sinto cheiro de mata pura, mata densa, como se estivesse numa floresta muito úmida.

         Rodrigo abraçava Daniela, procurando captar suas energias, quando também teve o mesmo pressentimento.

         - Um sítio! - disse ele. - Talita está em um sítio, numa casa rodeada por mata densa!

         Fábio saltou da poltrona:

         - Isso, cara, isso, vai fundo! Tente localizar o tal sítio, vamos ver se conseguimos resgatá-la! O que mais você vê?

         Rodrigo esforçava-se para vislumbrar mais informações sobre Talita. Paulatinamente, imagens iam se formando em sua mente: um vestido de noiva sobre uma cadeira... uma mesa posta com candelabros, velas ardendo... mais noivas... noivas e noivas... e finalmente ele passou a perceber uma presença masculina.

 

         - De fato, parece-me que ela foi sequestrada por um homem - disse Rodrigo. - Vejo-a deitada numa cama, um vestido de noiva ao lado e um homem de pé...

         - Xi... o cara tá ferrado... ferradíssimo... ele entrou numa roubada e não sabe - disse Fábio, mais calmo, feliz com o rumo das investigações e retomando seu ar sorrateiro.

         - Por quê, Fábio? - quis saber Daniela.

         - A Talita é faixa preta, mana! Ela já me venceu várias vezes na academia. Na hora em que o cara tiver qualquer vacilo, na menor chance, ela vai dar-lhe uma surra do cacete!

         - Bem... - inferiu Daniela. - Isso nos deixa mais tranquilos, porque ela tem condições de se defender, porém mas há muitas maneiras de o criminoso dominá-la. Com uma arma, com...

         - Dopada! Ela está dopada! - interrompeu Rodrigo, absorto, olhando o vazio.

         - Dopada, amor? Você teve outro pressentimento?

         - Sim, eu a vejo em um quarto, sob efeito de sedativos, e a um canto...o vestido de noiva... estendido sobre a cadeira... e ele... o sequestrador, ele... pretende fazê-la colocar o vestido!...

         Em seguida, olhando para Daniela, Rodrigo pediu-lhe que tomasse de novo as suas mãos. De mãos dadas, ambos passaram novamente a mentalizar em conjunto. Unindo seus dons paranormais, eles sabiam que tinham mais chance de compreender o que estava se passando. Rodrigo tentava mentalizar, procurando alcançar a mente do criminoso por telepatia, entrar na mente do sequestrador.

 

         Fábio ficara assombrado com a última revelação de Rodrigo. O sequestrador pretendia que Talita colocasse o vestido de noiva? O que isso significaria?

         Os três jovens permaneceram confabulando até que concluíram que poderia tratar-se de algum maníaco com obsessão por noivas, por vestidos de noiva ou algo do gênero.

         - Então, a Talita foi sequestrada porque está noiva... - balbuciou Fábio, temeroso.

         - Sim, é bem provável - disse Rodrigo. - E nesse caso, não deve ser o primeiro crime dele desse tipo. Vamos pesquisar na web ou com a polícia se houve mais casos semelhantes, nos últimos tempos.

 

         Pela noite a dentro, Fábio, Rodrigo e Daniela, conforme pesquisavam, tomavam conhecimento de que outros casos semelhantes ocorreram no país. Em alguns casos, as moças não foram mais localizadas; em outros, eram libertadas, mas apresentavam como retrato falado do criminoso homens diferentes uns dos outros.

         - O casos ocorreram em áreas distantes umas das outras. Então o criminoso tem por padrão não agir numa mesma área. Talvez para despistar... - concluiu Rodrigo.

         - Ou talvez se trate de criminosos diferentes - inferiu Fábio. - Se eles são diferentes no aspecto físico, conforme descrição das moças que escaparam...

         - Acho que não... - disse Rodrigo. - algo me diz que não. Ele pode ter usado disfarces.

         - Bem, mano, se algo te diz que não... quem sou eu pra dar o contra, he, he, he...

 

         Por fim, cansados, os jovens foram dormir. Rodrigo não conseguia conciliar o sono. Vinham-lhe à mente séries de números... números... números...

         - Números? - perguntou Fábio, pela manhã - Números... pode ser sinal de algum endereço. Muitas ruas têm número no nome. Talvez esses números sejam da rua e da casa onde a Talita está trancafiada.

         - Ou, então, podem ser coordenadas geográficas - sugeriu Daniela.

         Rodrigo fitou-a animado.

         - Gênia! Geninha! É isso aí, amor! Acho que são coordenadas geográficas... pode ser a exata localização do sítio onde a Talita está...

 

         Os três correram ao computador para checar os números e verificaram que o cruzamento deles pelo GPS recaía sobre uma região da Serra do Mar.

         - Na Serra! Na Serra! - empolgou-se Fábio. - Lá é mata densa, úmida, cheiro de mato...

 

         De fato, as coordenadas geográficas apontavam para uma região específica, em Rio Grande da Serra. Rapidamente, os jovens entraram em contato com o investigador Irineu, amigo deles, da polícia de São Paulo, e passaram-lhe a informação.

         - Vocês sabem que a chefia do Irineu é meio contra paranormais atuando junto à polícia, mas os meus amigos do GOE não descartam nenhuma possibilidade - disse Fábio. - Podem crer que vão voar para lá.

 

***

 

       Chovera a noite toda em Rio Grande da Serra. Nas imediações do sítio onde Talita se encontrava sequestrada, o cheiro de mato molhado impregnava o ar. Após horas de sob efeito de sonífero, ela despertava, meio zonza, amarrada a uma cama.

       De pé, na soleira da porta do quarto, um homem a observava com olhar zombeteiro:

       - Bom dia, princesa... ou devo chamá-la tigresa? Você é muito valente. Bela e valente. Mas agora, amarrada aí, vou domá-la.

       O criminoso referia-se ao fato de Talita haver tentado defender-se utilizando sua boa condição física, uma vez que era exímia em artes marciais. Mas a garota tinha as mãos algemadas e acabou sendo dominada, dopada e atada à cama.

       Com voz incisiva, Talita exigiu que fosse liberada para, ao menos, ir ao banheiro. Prometeu não mais tentar reagir. Ele soltou-lhe as mãos, mas atou-lhe as pernas com uma corrente e a obrigou a colocar o vestido de noiva.

       - Vamos antecipar nossas núpcias, princesa... - disse ele irônica e maliciosamente.

       Talita sentiu-se congelar por dentro. Muitas hipóteses passavam-lhe pela mente. Já percebera que se tratava de um maníaco e ficava a imaginar uma forma de fugir. Pensava no noivo, na família... era tudo um tormento. Mas ela sabia que deveria manter a calma, ser fria, agir racionalmente, se desejasse escapar.

        Quase sem conseguir dar um passo, com as pernas acorrentadas e já com o traje de noiva, ela foi ao banheiro, tentando desesperadamente encontrar uma saída para a situação. Com grande esforço, embora o efeito do sonífero já tivesse passado, Talita subiu sobre o vaso sanitário e olhou para fora do banheiro por um vitrô minúsculo. Calculou que era impossível sair por ali, principalmente por estar amarrada e com o vestido de noiva. Pensou em gritar mas só viu a floresta à sua frente e concluiu que era uma casa muito isolada. Talita pensava freneticamente em suas possibilidades, quando percebeu um leve movimento entre a folhagem da mata. Fixou o olhar, cheia de esperança, e avistou um vulto atrás da folhagem, percebendo que se tratava de um componente do GOE, cujo grupo já estava posicionado para agir no momento oportuno. Talita colocou o braço para fora do vitrô acenando em silêncio, desesperadamente.

 

       - Princesa! Está demorando! - a voz do criminoso fez com que a moça descesse rapidamente do vaso sanitário, caindo desajeitada.

        Ela orava em silêncio para que o GOE a tivesse percebido. Ao mesmo tempo, pensava freneticamente em que atitude tomar, porque sabia que poderia haver tiroteio quando o GOE tentasse resgatá-la. Resolveu então parecer receptiva ao criminoso para que ele se desconcentrasse. Adotou uma atitude que a fez parecer mais frágil e obediente.

        O criminoso começou a arrumar a mesa, acendendo as velas do candelabro.

        - Vamos comemorar o dia todo, a começar pelo café da manhã, princesa - disse ele em tom malicioso, conduzindo-a até a cadeira da mesa, tão próximo que podia sentir seu hálito. - Depois teremos o almoço, o jantar, a sobremesa...

 

        Talita procurava manter-se calma, fria. As incansáveis sessões de artes orientais deixaram-na preparada para tomadas de decisão com autocontrole em situações emergenciais.

        Nesse instante, enquanto o criminoso a ajudava a sentar-se, repentinamente, a porta se abriu e um componente do GOE entrou rápido no aposento, seguido por outros, apontando a arma diretamente para o sequestrador. Tomado de surpresa, ele ainda tentou agarrar-se a Talita para fazê-la refém ou de escudo, mas a jovem, preparada para a defesa, embora estivesse com os pés atados, tinha desta vez as mãos livres e, num golpe certeiro, atingiu-lhe a cabeça, colocando-o fora de ação com tal destreza que surpreendeu a própria força policial.

***

 

        Dias depois, os convidados divertiam-se na festa de casamento, enquanto os três amigos reviviam a aventura da noiva Talita.

        - Afinal - perguntou Fábio -, então, tratava-se do mesmo sequestrador em todos os casos?

        - Exato - confirmou Rodrigo. - Ele era meticuloso, como todo psicopata. Repassava as proclamas de casamento de cidades diversas, abordava as vítimas, dopava-as e as trazia para a mesma casa em Rio Grande da Serra. Ele tinha fixação por noivas provavelmente em decorrência do fato de haver sido abandonado pela noiva no altar.

         - O cara surtou, então?

         - Sim, após ser abandonado, conseguiu recuperar o vestido que havia comprado para sua noiva e fazia as vítimas usá-lo. Coisas de sua mente doentia... Algumas tiveram a sorte de serem soltas, sabe-se lá por quê. Algo nelas o levou a poupá-las.

         - E você não conseguiu descobrir por que ele as poupou, mano? E seus poderes, he, he, he?...

         - Fábio - retrucou Rodrigo, sério - nenhum homem é Deus... e também não convém brincar de Deus...

         - Ok, mano, OK... - anuiu Fábio, percebendo um aumento no vozerio da festa. - Opa!! Hora do bolo! Champanhe!!! Vamos lá! O amor é lindo, he, he, he...

 

         Rodrigo sorriu e olhou apaixonado para Daniela.

        - O "meu" amor é lindo - disse ele,  abraçando-a e beijando-a, também curtindo significativamente o clima do momento...

***


©Oriza Martins

Este conto-episódio faz parte da série "Aventuras de Rodrigo e Daniela"

Veja também os episódios:

 

Mistério nas Ruínas do Solar

A Noiva

Um Encontro de Amor

Veja todos os episódios

Episódio-piloto - conheça o início da saga = A SÉTIMA PROFECIA

 

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1 - Rodrigo, desde criança, sempre exercitou de alguma forma seus dons paranormais. Daniela, por sua vez, só começou a manifestar a paranormalidade a partir de seu encontro com  Rodrigo.

2 - Ela necessitava desse pólo gerador de energia amorosa e positiva para desenvolver suas potencialidades. Agora ambos se dedicam a investigar casos misteriosos...

3 - Como almas gêmeas, Rodrigo e Daniela se comunicam e se completam através de um simples toque de mãos...

4 - Mas o que mais une mesmo as mentes e corações de Rodrigo e Daniela é um profundo sentimento de AMOR...

 

 

5 - Rodrigo e Daniela promovem sessões de mentalização e meditação, onde permutam sua energia interior e potencializam seus dons paranormais na solução dos casos.

 

6 - Acompanhe as instigantes aventuras de Rodrigo e Daniela, repletas de amor, paixão, suspense, mistério, com boa dose de humor, e viva o seu fascinante universo...

Index dos episódios

Saiba como eles se conheceram lendo:

Um Encontro de Amor

 

 

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