Casal romântico

Histórias de Amor,

Paixão e Mistério...

 

Série: Aventuras de Rodrigo e Daniela, o jovem casal paranormal da saga "A Sétima Profecia".

 

 

Episódio: "A Carta"

Que segredos conteriam aquela carta esquecida dentro de um velho livro, décadas passadas? Acompanhe Rodrigo e Daniela em mais esta aventura de amor, mistério, paixão...

A Carta  (Oriza Martins)

SÉRIE: As Aventuras de Rodrigo e Daniela - o jovem casal paranormal da saga A SÉTIMA PROFECIA

 

Episódio: A Carta

     Num claro dia de outono, em São Paulo, chegou às mãos de dona Marina, bibliotecária da escola Terra Brasilis, uma caixa de papelão contendo diversos livros recebidos em doação.

     Ao abrir a caixa, Dona Marina verificou serem bastante antigos, empoeirados, amarelados pelo tempo. Dona Marina começava a limpar os livros para catalogá-los quando, de repente, algo caiu de dentro de um deles.  

    Tratava-se de um envelope, fechado, aparentemente contendo uma carta, endereçada "A meus queridos pais".

     - Que estranho... uma carta fechada... tão antiga e, se não foi aberta, provavelmente nem foi lida por seus destinatários...  - pensou dona Marina,  enquanto divagava se deveria ou não abrir a correspondência e ao mesmo tempo percebendo que o envelope, devido à sua espessura, deveria conter mais de uma folha.

     Finalmente, não vencendo a curiosidade, dona Marina abriu o envelope e encontrou não apenas uma, mas duas cartas, datadas de sessenta anos atrás. Uma delas era destinada "A meus queridos pais" e a outra, menor, quase um bilhete -  "Ao Rodolfo, meu pedido de perdão".

     Ambas as cartas continham como assinatura o nome Matilde. Dona Marina pôs-se a ler primeiramente a carta endereçada aos pais - supostamente aos pais da remetente Matilde. Nessa carta, Matilde pedia perdão a seus pais e inocentava uma pessoa chamada Rodolfo.

 

"Meus queridos pais... como sabem, estou de viagem para São Paulo, mas resolvi deixar-lhes esta carta para explicar que me sinto envergonhada, pois levantei falso testemunho contra o Rodolfo. Ele é inocente. Eu disse que ele era culpado, por despeito e inveja. Agora estou arrependida e peço-lhes perdão por essa covardia. Junto a esta, deixo uma carta ao Rodolfo e rogo-lhes que a entreguem a ele, para que possa ser inocentado.

Com amor, Matilde"

 

     - Que história intrigante - pensou a bibliotecária, já pensando em uma maneira de elucidar o mistério da carta que, entretanto, não continha local do remetente nem sobrenomes dos envolvidos.

 

     Nos dias seguintes, após tentar localizar o doador do livro, sem sucesso, e contando com a ajuda de alguns alunos do colegial, Dona Marina vasculhou a internet pesquisando os nomes das pessoas envolvidas, não resultando em nada. Foi quando uma aluna, ao saber da instigante história, encontrou uma provável alternativa:

 

     - Esse mistério é um trabalho para Rodrigo e Daniela!

 

     Os colegiais decidiram então contatar o jornalista Fábio, amigo do jovem casal de paranormais Rodrigo e Daniela.

 

***

 

     Na fresca manhã de outono, na varanda do casarão do Parque do Carmo, ao som de passarinhos, Rodrigo e Daniela aguardavam a chegada do amigo Fábio, o jornalista free-lancer sempre em busca de uma boa história - que já lhes contara sobre o mistério das cartas por telefone.

 

     Rodrigo e Daniela, jovens, enamorados, habitualmente envoltos em uma aura de paixão e romance, entre beijos e carícias, confabulavam a respeito das cartas. Tratava-se, afinal, de uma carta que não fora entregue, ficara esquecida dentro de um velho livro durante sessenta anos e com um pedido de perdão... Nela, uma mulher chamada Matilde pedia perdão por haver difamado alguém chamado Rodolfo... quanta tragédia não poderia estar oculta nessas entrelinhas?... Será que ainda estariam vivos os personagens daquelas páginas?

 

     Assim que Fábio chegou trazendo as cartas,  Rodrigo e Daniela as tomaram nas mãos para um contato físico com o material. Esse procedimento era importante no processo de mentalização paranormal dos jovens.

 

     Cada um deles pegou uma carta, passando-lhe as mãos suavemente. Ambos se entreolham e Rodrigo vislumbrou mentalmente um jovem numa prisão e uma moça chorando.

     - Pressente algo, amor? - indagou Daniela, enquanto também vislumbrava uma paisagem, uma região de montanhas.

     O casal trocava algumas impressões, quando, ao pressentir o mesmo que Daniela, Rodrigo vislumbrou ao longe uma serra em tons acinzentados, meio azulada.

 

     - Serra Azul! - gritou então Daniela, captando a mentalização do namorado. - Essas pessoas são de Serra Azul!

     - Serra Azul? - interferiu o jornalista Fábio. - É um lugarejo da Mantiqueira, não?

     - Sim - concordou Rodrigo. - Se quisermos elucidar esse mistério, temos de ir para lá.

     - Que tal já? - empolgou-se Fábio.

 

     Na mesma tarde, os três jovens seguiram para Serra Azul levando as cartas, tomados pela curiosidade que sentiam em situações semelhantes. Embora já estivessem habituados a investigar casos de suspense e mistério, um clima instigante sempre pairava entre eles. Os três conversavam sobre o que já haviam deduzido: o jovem na prisão provavelmente se tratava do Rodolfo a quem Matilde pedia perdão. E a jovem mulher chorando... seria ela própria?

     - Não... creio que não... inferiu Rodrigo. - Não senti que fosse ela... talvez seja alguma outra pessoa envolvida da história. É possível que Matilde tenha levantado falso testemunho sobre o Rodolfo e ele tenha sido preso injustamente. Se foi esse o caso, a cidade deverá ter registro dessa história, embora tenha se passado há tanto tempo.

 

     Ainda pela manhã, Fábio havia contatado um jornalista em Serra Azul, Carlos Ramiro, que já se encarregara de investigar o assunto.

 

     Anoitecia quando os três amigos chegaram a Serra Azul, sendo recebidos por Carlos Ramiro. O jornalista local havia reunido algum material antigo do jornal e ele próprio se lembrava de, na infância, ter ouvido histórias sobre um escândalo passional ocorrido na década de 40 na cidade.

     - Sabem como são essas histórias - disse Carlos Ramiro. - Na maioria das vezes já se tornaram lendas urbanas... A realidade funde-se com a lenda e criam o mito... Mas desta vez acho que temos algo substancial em mãos.

 

     O jornalista expôs então o material aos três amigos e relatou o que soubera sobre o ocorrido.

 

    - Nos anos 40, aqui na cidade, havia um rapaz chamado Rodolfo que estava noivo do uma jovem chamada Luciana.

     - A moça que estava chorando na minha visão -  murmurou Rodrigo, fitando significativamente os amigos.

     - Eles já estavam de casamento marcado - prosseguiu Carlos Ramiro - quando o Rodolfo foi acusado por outra moça, Matilde Sobreiro, de havê-la molestado. Foi um escândalo. A Matilde era de família tradicional, poderosa, que conseguiu a prisão imediata do Rodolfo, uma vez que ele se recusou a casar com ela. O noivado dele com Luciana se desfez. Meses depois, a Matilde estava em viagem para são Paulo, mas o carro derrapou na pista e rolou por uma ribanceira. Ela morreu na hora.

     - Quando foi o acidente? - quis saber Rodrigo - intrigado.

     - Vejam aqui neste recorte - disse Carlos Ramiro pegando um velho jornal. - Foi em agosto de 1947.

    - As cartas! A data! - disse Rodrigo. - Vejam, o acidente aconteceu um dia depois que a carta foi escrita!

    - Então foi isso... - falou Fábio. - A Matilde ia viajar para São Paulo, escreveu as cartas se desculpando, inocentando o Rodolfo, e no dia seguinte morreu no desastre...

   - É mesmo... - concordou Daniela. - Provavelmente, na confusão do falecimento dela, a carta inadvertidamente acabou se extraviando e foi parar dentro do livro, sabe-se lá como... Nem os pais dela a receberam, nem o Rodolfo, coitado... e todos continuaram achando que ele era culpado...

    - Pois é - continuou o jornalista Carlos Ramiro -, mas a história não termina aqui. O Rodolfo ficou dois anos preso e, quando saiu, a ex-noiva dele, a Luciana, havia se casado e, pelo jeito, estava completamente infeliz, porque eles se reconciliaram às escondidas e um belo dia fugiram da cidade juntos.

     - Que história! - vibrou Fábio. - E para onde eles foram?

     - Ninguém sabe - respondeu Carlos Ramiro. - Com mais ingredientes no escândalo, a família dele também se mudou daqui. Viviam envergonhados pois ele já era chamado de "o tarado de Serra Azul...".

     - Coisa de louco, hein? - ironizou Fábio.

     - Bem - disse Rodrigo -, agora sabemos que ele era inocente... e precisa ser justiçado. E, se estiver vivo, precisa também receber a carta reconhecendo sua inocência. Ou ele ou a família dele tem o direito de receber essa carta! Vamos tentar seguir seu rastro...

     - Vai ser difícil - argumentou Carlos Ramiro. - Dizem que eles foram para outro país, fugiram para o exterior, Europa, sei lá... Ninguém mais soube deles.

     - Um momento... - interferiu Daniela, pegando os velhos recortes de jornal nas mãos. Ela tentava mentalizar algo a partir daquele material. Rodrigo, percebendo que sua amada estava conseguindo visualizar alguma coisa, tocou suas mãos, captando-lhe as sensações e dizendo alto:

      - Argentina!

      - Argentina?! - perguntou Fábio. - Eles foram para a Argentina?

      - O que você vê, amor? - perguntou Daniela a Rodrigo.

      - Um gramado, uma chácara ou fazenda... sim... acho que é nos pampas argentinos... um casal idoso caminhando por uma alameda...

      - Vivos!! Eles ainda vivem! - vibrou Daniela. - O Rodolfo e a Luciana estão vivos!

      - Bem, faz sentido - disse Carlos Ramiro - eles devem estar na faixa dos 80 anos agora.

      - Precisamos entrar em contato com eles - disse Daniela.

      - Como vão suas milhagens, hein? - perguntou Fábio ao amigo, sorrateiramente.

      - Acho que dá pra chegar até a Argentina - sorriu Rodrigo.

      - Argentina, lá vamos nós! - gritou Fábio.

 

      Uma semana foi suficiente para que Fábio, Rodrigo e Daniela conseguissem, através de mentalizações e pesquisas via web, localizar Rodolfo e Luciana em uma bucólica cidadezinha Argentina. Eles agora formavam um simpático casal de idosos, visivelmente felizes. Colocados a par das descobertas dos jovens, ambos viveram momentos de intensa comoção, relembrando que tiveram de fugir do país para viverem seu sonho de amor  em sossego, porém sempre com aquela sombra do passado presente em suas vidas. Mas eles se encontravam em paz. Deixaram o passado para trás, as mágoas, os rancores...

 

     - Essa carta é muito importante para mim não pelo pedido de perdão, mas porque corrobora minha inocência - disse Rodolfo. - Eu já perdoei a Matilde há muito tempo...

      - Quanto a mim - disse a esposa Luciana -, passado o trauma do momento, no fundo, sempre confiei na inocência dele... Meu primeiro casamento foi um ato intempestivo, foi também um erro de minha parte.

 

      No regresso ao Brasil, os três amigos confabulavam sobre o final da instigante aventura.

 

      - Essa história precisa ser passada a limpo - disse Rodrigo. - É necessário resgatar a dignidade de alguém tão aviltado, tão injustiçado. Contar a verdade ao povo de Serra Azul.

 

      - Deixa comigo - disse Fábio. - Fiz uma parceria com o Carlos Ramiro para divulgarmos a saga. Serra Azul vai mudar de cor... vai ficar vermelha, corada de vergonha.

 

      De passagem por Buenos Ayres, Daniela manifestou desejo de ir até o cemitério da Recoleta.

 

      - Pra quê?! - quis saber Fábio. - Bem, pensando bem, tratando-se se vocês não é nenhum desejo estranho, he, he, he...

       - Ora, Fábio, para ver os gatos que vivem por lá. Sabe-se que na Recoleta vivem inúmeros gatos abandonados...

       - Tudo bem... desde que vocês não resolvam parar pra confabular com os "outros habitantes" de lá, he, he, he...

       Daniela suspirou.

      - Bem, a propósito, apesar de tudo, acho que todos saem com algo positivo dessa história - suspirou a jovem, aconchegando-se nos braços de Rodrigo. - Até a Matilde. Talvez somente agora sua alma possa descansar em paz.

***


©Oriza Martins

Este conto-episódio faz parte da série "Aventuras de Rodrigo e Daniela"

Veja também os episódios:

Mistério nas Ruínas do Solar

A Noiva

Um Encontro de Amor

Veja todos os episódios

Episódio-piloto - conheça o início da saga = A SÉTIMA PROFECIA

 

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Conheça Rodrigo e Daniela (Rod e Dani)

1 - Rodrigo, desde criança, sempre exercitou de alguma forma seus dons paranormais. Daniela, por sua vez, só começou a manifestar a paranormalidade a partir de seu encontro com  Rodrigo.

2 - Ela necessitava desse pólo gerador de energia amorosa e positiva para desenvolver suas potencialidades. Agora ambos se dedicam a investigar casos misteriosos...

3 - Como almas gêmeas, Rodrigo e Daniela se comunicam e se completam através de um simples toque de mãos...

4 - Mas o que mais une mesmo as mentes e corações de Rodrigo e Daniela é um profundo sentimento de AMOR...

 

 

5 - Rodrigo e Daniela promovem sessões de mentalização e meditação, onde permutam sua energia interior e potencializam seus dons paranormais na solução dos casos.

 

6 - Acompanhe as instigantes aventuras de Rodrigo e Daniela, repletas de amor, paixão, suspense, mistério, com boa dose de humor, e viva o seu fascinante universo...

Index dos episódios

Saiba como eles se conheceram lendo:

Um Encontro de Amor

 

 

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